terça-feira, outubro 04, 2011

604 - Reflexões de uma Gatinha

Simão
Margarida
Janelas
Gatinha
"Os Humanos são malucos... Têm dias para tudo. Dias Nacionais, Internacionais, Mundiais. Do Pai, da Mãe, da Paz, de, de, de...(ainda chegarão ao desplante de criar o Dia Mundial do Penso Higiénico?)
Hoje é Dia do Animal. Mas, como dizia algum poeta, «Natal é todos os dias». E dias dos Animais têm de ser todos os dias. Somos ou não os Maiores?
Hoje é o meu Dia. Óptimo. Mas é ao meu "amigo" Simão que dedico esta prosa maluca. O Simão faz hoje anos. Talvez onze, doze, por aí... Já não o vejo há muito. Abandonou-nos (não vou escrever que o donomeu o abandonou) e foi viver para a aldeia. Foi forçoso mudar de vida e hoje o Simão está, espero bem que sim, muito melhor. Deve ter mais atenções, tem mais espaço, mais liberdade para brincadeiras. Será que se lembra de mim? Lembra-se do donomeu? Talvez.
Não tenho muitas saudades dele. Sou exclusivista e agora tenho as atenções (e mimos) todas concentradas na minha pessoa. Dantes eu era figura "secundária".
Chegámos a trabalhar juntos numa peça de teatro. E nessa altura ele "armou-se" em bom, altruísta e gozava comigo. Chamava-me fútil e outras subtlilezas. Enfim, memórias... Acho que o Simão não tem a minha sorte. Uma net por perto e a possibilidade de escrever. Não sei se ele vai ler isto (duvido) mas aqui vai um abraço apertado de Parabéns.
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Hoje foi o "Dia da Consulta do Donomeu".

(e como ele gosta daquelas consultas. Gosta da doutora, da sua simpatia, do seu profissionalismo, (do seu sorriso) ponto final. Pena só ter consultas três vezes por ano. E agora, Santo Deus, só em...Janeiro!)

Na sala de espera ele aproveita o tempo para ler e escrever, escrever...

«Gostava de morrer com uma caneta na mão»
Entrevista de António Lobo Antunes ao DN.

Pois, mas do donomeu ao ALA vai uma distância tão grande como daqui até á galáxia mais longínqua.
Sei que antes de chegar ao hospital e como já é habitual, o donomeu foi visitar a Margarida e no mesmo local, tentar (que ingenuidade a dele) acertar nos números e nas estrelas de sexta-feira.
Depois da consulta, numa visita de passagem, máquina na mão, "apanha" todos os azulejos que vê. E fotografa janelas. Como ele gosta das janelas de Lisboa...

Como diría o Simão (Parabéns de novo, caniche malandro) estou a ficar preguiçosa. Vou dormitar um bocado, se não se importam.

PS: Amanhã é Dia da República. Mas eu, Rainha Absoluta, sou monárquica e não festejo.

A Gatinha

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terça-feira, maio 17, 2011

565 - Embaixadores

" Costumo dizer que um homem nunca é tão mau como a sua pior atitude, nem tão bom como a sua melhor.
Ora bem, em relação ao meu cão o caso muda de figura, ou seja, não tenho a menor dúvida de que ele é tão bom como a sua melhor lambidela.
Sou um "pai" recente e é cheio de orgulho que assumo que amo o meu "filho", Sôtor.
O Sôtor é um cão feliz e eu sou um homem mais feliz ao lado dele.
Tenho aprendido imenso.
Acredito que a única forma de se viver um amor é de forma incondicional e se pensarmos bem, os animais fazem isto muito melhor que nós. Eles dão e dão e dão sem cobrar nada.
Quantas pessoas conhecemos assim?
Há pouco tempo li que os cães duram menos tempo que nós porque têm menos assuntos para resolver.
É verdade! Eles sabem perdoar, aceitar um mau dia do dono ou um dia inteiro na varanda, eles sabem amar e dar como ninguém.
Deixem-me partilhar uma história recente:
Um dia, tinha o Sôtor oito meses, castiguei uma outra cadela que tinha em casa amarrando-lhe a trela ao corrimão da varanda durante um período de tempo. O que aconteceu a seguir foi extraordinário e além de me ter levado as lágrimas aos olhos, convenceu-me de que tinha em mãos um ser especial. Imediatamente a seguir ao início do castigo, o meu cão desapareceu-me da vista e quando, largos minutos depois, fui à procura dele, encontrei-o na varanda com um semblante de herói tímido, a comer, literalmente, a trela da outra cadela para que dessa forma a conseguisse libertar.
O meu instinto fez-me abraçá-lo e dizer-lhe ao ouvido: - eu compreendo-te, tinha feito o mesmo que tu.
Soltei a cadela e ambos adormeceram à minha frente.
A lição foi adquirida. Muitas mais há-de me ensinar.
Somos todos professores e alunos uns dos outros... estejamos atentos a estes exemplos de quatro patas.
Bem hajam. "
Gustavo Santos
Actor e Modelo

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Gosto muito do texto anterior.
A história dos meus Amigos de quatro patas não é tão comovente. Não sou Embaixador da Bianca (reservado para pessoas conhecidas). Mas a história dos meus Amigos de quatro patas, repito, é minha e gosta dela.
Herdei, em várias fases, animais que outros quizeram um dia. Foi assim com o Simão primeiro e com a Gatinha depois. O Simão, caniche branco e bastante reguila não me largava um segundo. É verdade que eu também o levava para todos os lugares (só não entrava nas Finanças porque não deixavam, e não era Contribuinte Fiscal)
Companheiro fiel durante muitos anos até numa "peça de teatro" entrou. Ele e a Gatinha.
(talvez apareça aqui, um dia)
As voltas da vida obrigaram à separação. Hoje o Simão tem outros donos. Tem outras condições e mais espaço. Mas está, não podia ser de outro modo, na minha memória e no meu coração.

Não fiquei sózinho. Após a partida do Simão fui adoptado. Sem aspas, "sem espinhas" como diz o ditado. A Gatinha, agora livre da presença do cão, apoderou-se de mim. É ela a minha grande companheira. Não vai às Finanças, nem fica à porta, porque não sai de casa. Mas neste território que é o dela, está presente em tudo o que faço.
A Gatinha é linda e oxalá não me deixe tão depressa.



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quarta-feira, abril 13, 2011

542 - SIMÃO (RECORDAÇÕES...)





Estou desolado. Isto não se faz a uma criatura como eu.
Ontem, bem cedo, fui passear como de costume e, para minha surpresa, entrámos numa casa esquisita. O meu dono " pirou-se " , deixou-me ao cuidado de uma gentil menina, que sem mais delongas me fechou numa jaula. Senti-me ultrajado porque nem julgamento houve. Passado um tempo - não tenho relógio, como sabem - lá me libertaram. E trataram de me retirar o meu rico " casaco " de que eu tanto gostava. Depois deram-me banho, andaram com uma coisa ruidosa e quente à minha volta e no fim, jaula outra vez. Nem me lembro se almocei de tão triste que estava. Passado mais um longo tempo, lá apareceu o meu dono - pagou uma fiança, acho eu, porque o vi com notas - e libertaram-me finalmente. Não sei qual foi o meu crime mas tenciono protestar por tudo o que aconteceu.

Eles acham que eu estou mais bonito, mais asseado, mas o meu rico " casaquinho " ficou lá e está um frio de rachar. De qualquer modo fiz prometer ao meu dono que não me levasse mais àquele horrível lugar. Ele disse que sim. Se não cumprir, mordo-lhe as canelas e tudo o que estiver ao pé.
Agora estou mais calmo. Daqui a pouco vou passear outra vez. Quando chegar a casa tenho o meu cantinho aquecido e vou tentar esquecer este ultraje.

Tenham todos um Bom Natal, com toda a Paz possivel, e muito, muito Amor.


Simão


P.S. Detesto fotografias. Se não estivesse preso com aquela trela, ele não me fazia isto.

Publicado em 22 de Dezembro de 2006. Homenagem ao meu Amigo ausente.

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