POST NR. 500 - HOMENAGEM - Pablo Neruda
Pequenina.
Que hei-de contar-te, Pequenina, para que te divirtas? É noite, e estou alegre, sózinho na minha casa, que é como uma torre cheia de grades por onde miro a noite cheia de estrelas. Não me sinto cansado da viagem, apesar de ter sido tão acidentada. À meia noite esconderam-me debaixo de um catre, e aí estive cinco horas a gelar. Depois um carro de terceira. Nada de principesco. Mas, por fim cheguei. Vagueei toda a tarde por estas ruas que tanto tenho visto. Andei pelos arredores e trouxe grandes ramos de violetas que, de tão belas, deviam ser para ti. Que alegria ver este prado verde, e sentir-me eu, eu próprio livre de tanta tolice, ágil e só. Ah! Se aqui estivesses, fofinha. Se estivesses agora, ao pé deste braseiro que me aquece, se estivesses com os teus belos olhos tristes, com o teu silêncio que tanto amo, com a tua boca que precisa dos meus beijos. Vem, pequenina. Ou, pelo menos, pensa em mim.
Um, dois, três, cem beijos do teu
Pablo Neruda
PABLO NERUDA - CARTAS DE AMOR
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