quarta-feira, dezembro 15, 2010

CRÓNICA ?

(Não sei se este texto merece ser chamado de crónica. Assim, coloco-lhe um ponto de interrogação)


NOME: MATIAS

Hoje cedo, a rotina .
Acordar, ao mesmo tempo que a minha gatinha que dorme mesmo ao(s) pé(s), banho, preparar e vestir o essencial. Pequeno almoço em casa.
Levar para os ecopontos os sacos já divididos e seguir para o Pingo Doce. Beber um café mesmo ao lado do pão da avó, quentinho, que se leva para casa.
Saída para a Fisioterapia. Os rituais, sempre os mesmos.
Sempre que espero, em salas diferentes, ou num dos tratamentos mais demorados, começa a cabeça a escrever. Não são os dedos, não é a esferográfica. É a cabeça que vai guardando a escrita. É só o que me apetece fazer. Escrever logo alí. (Em alternativa, e se não estou deitado, enquanto espero, leio).


Vou pedir a um cientista qualquer que invente um sistema genial. Enquanto a cabeça pensa e escreve, carrego num ponto qualquer, e à velocidade de não sei quantos MB ou lá o que isso é, o texto salta directo para o computador. Depois é só corrigir e publicar.


Por vezes chamam-me maluco. Absolutamentte correcto e natural. Passo a explicar.

Nasci no Alentejo (todos maluquinhos, não é o que dizem? mas enganam-se, os parolos) .
Deram-me o apelido de meu pai. Matias. Vão ao dicionário e vejam: (pop) palerma, pateta, idiota.
Tive uma meningite tuberculosa com poucos meses. Dado como curado aos cinco anos
    cinco intermináveis anos de Sintra a Lisboa ao Hospital de Santa Marta, levar punções na coluna     quantas, meu Deus ? Centenas, milhares ?   estarei mesmo bom ?
Aos quinze anos fui trabalhar para uma Multinacional Alemã. Tudo gente maluca, sem uniforme, como no Miguel Bombarda, mas maluca.
Trinta e sete meses de tropa. Maluquice pegada. (Não fui a África, defender a Pátria matando
 " terroristas " . Se tivesse ido já não estaría aqui, mas no Júlio de Matos - parecido com Matias)
Acham que já chega ?
Da Multinacional Alemã, passei para outra. Esta Suiça. Mais malucos ainda.
Reformei-me cedo, mas com muitos anos de trabalho (ou emprego, o que quizerem). Comecei em bebé, como às vezes dizia.
Mais tarde, oito anos numa empresa imobiliária. Duas pessoas. Não malucas.
Malucos eram os clientes, alguns, muitos, que nos gozavam até à exaustão. Marcando encontros a que não compareciam. " Comprando " casas no dia da visita e desistindo dias depois. Tantas vezes. Demasiadas vezes.
Precisei de um Psiquiatra como era evidente. (Cheguei à conclusão que um deles estava do lado errado da secretária. Era mesmo maluco).
Agora já não preciso. A medicação, " de desmame ", termo curioso, está a terminar.
Se calhar vou continuar maluco, mas só enquanto for vivo. Porque o Mundo, este planeta em que vivemos, está virado do avesso. E demasiado louco.

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