sábado, novembro 13, 2010

S. Martinho

O S. Martinho já lá vai. Não ligo a certas datas e outras pouco ou nada significam.
Hoje, ao rever um livro de uma Amiga querida, reli o texto S. Martinho. Para ela e para o Simão, aqui ficam os meus parabéns.
(Afinal o S. Martinho foi só há dois dias...)



S. MARTINHO

" Sempre tive como sonho ter só um filho. De preferência homem. Quando fiz a ecografia que denunciou o sexo, dei pulos de contente.
Era mesmo um rapaz!
Não sei qual a razão desta pretensão, só sei que era de facto um grande desejo. Relativamente ao número de filhos, sei que era um porque queria proporcionar-lhe tudo o que estivesse ao meu alcance. Quer em disponibilidade efectiva, quer económica.
Sempre mexeu comigo quando alguém dizia:
-  Tudo se cria
-  Pão para a boca não lhe há-de faltar.
Para mim, trazer um filho ao mundo era muito mais do que isto.
Tinha que ser planeado e desejado.
Estive três anos a preparar a sua vinda.
Também não cheguei ao cúmulo de esperar o tempo suficiente para que, quando viesse, fosse acolhido como um pequeno príncipe.
Esperei, apenas, reunir condições mínimas para que a sua chegada não fosse um sobressalto mas uma grande festa.
Lembro-me muito bem do dia em que soube que dentro de mim estava a começar uma nova vida.
Fui à farmácia comprar um daqueles testes que mudam de cor quando é positivo.
Não era instantâneo, demorava algumas horas.
Coloquei o frasquinho em cima da mesa-de-cabeceira e adormeci.
Ao acordar, agarrei a mão de quem iria partilhar comigo a sensação de ter contribído para garantir a nossa continuidade. Olhei e o frasquinho tinha mesmo mudado de cor.
Chorei de alegria e simultaneamente de medo.
Tudo na minha vida tem sido vivido pela metade.
Há sempre uma parte de mim que festeja e outra que estremece. E desta vez, também tinha de ser assim.
Por um lado, estava muito feliz, porque cumpria mais um sonho. Por outro, sabia que teria de ter alguns cuidados acrescidos, porque havia a possibilidade de se transformar numa gravidez de risco devido à minha companheira de estimação. (Lembram-se?!) Poderia ter de passar algum tempo de cama.
Para além disso, havia a promessa de alguém que não me queria perder... e que se tivesse de escolher...
Não, nem queria pensar nisso...
Tinha aprendido com alguma dificuldade a viver um momento de cada vez...
Foi o que fiz.
A partir daquele momento, faria tudo o que estivesse ao meu alcance para que tudo corresse pelo melhor. Respeitei e cumpri os conselhos médicos.
Vivi a gravidez como um verdadeiro estado de graça. Enjoei durante os três primeiros meses.
Daí para a frente, foi esperar que o tempo passasse. Sempre que ia às consultas, estava tudo sempre dentro dos parâmetros normais.
Ultrapassados os primeiros seis meses, a barriga cresceu de tal forma que eu mais parecia um
" sempre-em-pé".
Não foi preciso ter cuidados acrescidos. Apenas os que são recomendados a qualquer grávida.
Houve até a hipótese de o parto ser normal.
Os médicos chegaram à conclusão que seria melhor manter a decisão inicial de cesariana, porque não havia espaço para o bebé descer devido ao seu tamanho.
Senti-me aliviada. Temia que o parto normal pudesse pôr em risco a vida do novo ser, que eu tinha trazido dentro de mim como um tesouro.
Os nove meses chegaram ao fim.
Estava tudo preparado para acolher o tão desejado e querido bebé, que até já tinha nome.
O dia de S. Martinho chegou com muita chuva. Às 9 h da manhã dei entrada no bloco operatório de um hospital à beira-mar. Deram-me a anestesia. Quando acordei, disseram-me que o meu bebé já tinha nascido e estava tudo bem.
Estava tão cansada e ainda sob o efeito da anestesia, que voltei a adormecer.
Quando acordei de novo, já estava no berço junto de mim!
Não queria acreditar...
Era, sem dúvida, o meu tão querido e desejado filho homem.
Os dias de S. Martinho tornaram-se inesquecíveis! "


Do livro " Aquece o teu coração " de Maria Manuela Bouça ( Editora verso da kapa )




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3 Comentários:

Às sábado, 13 novembro, 2010 , Blogger Cristina Marques disse...

Viva o S. Martinho!
:)

 
Às sábado, 11 dezembro, 2010 , Blogger carmen disse...

Belíssimo, cheio de ternura.
Beijo

 
Às sábado, 11 dezembro, 2010 , Blogger viajante disse...

Esta " menina " é sobrinha da minha falecida mulher (já em 1980) e é uma Mulher de Coragem.

 

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