sexta-feira, dezembro 03, 2010

Quem fala assim... - José Mário Branco


Entrevista de Pedro Correia. DN de 20 de Novembro de 2010


Tem medo de quê?
Dos meus defeitos

Gostaria de viver num hotel?
Não.

Porquê?
Gosto de ficar em hotéis esporadicamente. Mas a gente não vive em hotéis. Vive em casas

A sua bebida preferida?
Água. Passe a publicidade, água de Monchique. Por motivos de saúde, devido ao meu PH elevado

Tem alguma pedra no sapato?
Não. Quando se é criador não se pode ter pedras no sapato.

A propósito: que número calça?
42, 43.

Que livros anda a ler?
Os Contos Maravilhosos, de Hermann Hesse.

Tem muitos livros à cabeceira?
Costumo ter três ou quatro. Não para serem lidos todos ao mesmo tempo mas para serem lidos em sequência. Gosto de ter sempre um livro pronto a ser aberto.

Às vezes deixa um livro a meio?
Às vezes deixo.

A sua personagem de ficção favorita?
Demian, de Hermann Hesse.

Rir é o melhor remédio?
Para o fígado, sim.

Lembra-se da última vez que chorou?
Não. Quando choro por qualquer coisa a minha preocupação é esquecer.

Gosta mais de conduzir ou ser conduzido?
De conduzir.

Na estrada ou na cidade?
Em qualquer lado. Adoro conduzir.

É bom transgredir os limites?
Não. Às vezes é necessário mas nunca é bom.

Qual é o seu prato favorito?
Você está a falar com alguém que anda em dieta rigorosa e não pode comer praticamente nada daquilo que mais gosta...

Hum...Falemos então do abstracto...
Adoro cozinha regional portuguesa.

De alguma região em especial?
Sobretudo do Norte.

E aprecia algum prato de dieta?
Um bom peixe escalado.

Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?
A preguiça.

A sua cor preferida?
O azul.

Costuma cantar no duche?
Não. Como é evidente, pois a minha profissão é cantar. Não é no duche que aqueço as minhas cordas vocais.

E a música da sua vida?
Foi por ela, do Fausto.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?
As instituições do Estado e tudo quanto representam, incluindo o hino e a bandeira, são símbolos de uma sociedade iníqua e injusta contra a qual tenho lutado toda a vida. Não tenho qualquer respeito nem pelas instituições nem pelo que elas representam.

Parece-lhe bem a actual bandeira nacional?
A esquerda nunca conseguiu resolver o problema do nacionalismo. Anda desde 1848 a proclamar
" Proletários de todos os países, uni-vos!" Isto implicava resolver a questão do nacionalismo, que nunca foi foi resolvida e que tem provocado alguns dos maiores desastres da humanidade.

Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?
O meu pai disse-me certa vez uma coisa muito sábia: quando admiramos muito um criador ou um político, devemos fazer os possíveis por não os conhecermos pessoalmente.

As aparências iludem?
Completamente. As aparências são a cara da ignorância.

Qual é a peça de vestuário que prefere?
Calções de banho.

Qual é o seu maior sonho?
Que haja bom senso suficiente para fazer a revolução.

Uma revolução pode fazer-se com bom senso?
Só mesmo com bom senso.

E o maior pesadelo?
É deixar-me arrastar pela mediocridade.

O que o irrita profundamente?
O pós-modernismo.

Qual a melhor forma de relaxar?
Ver um jogo de futebol e adormecer a meio, com o verde por fundo.

O que faria se fosse milionário?
Comprava casas para os mais próximos e fazia uma fundação para promover as artes.

Casamentos gay: de acordo?
Completamente.

Uma mulher bonita?
Ingrid Bergman.

Acredita no paraíso?
É o que eu vivo todos os dias com os meus netos.

Tem um lema?
Pode ser o título do meu último disco: Resistir é Vencer. Que foi o lema da resistência timorense.



Nota minha: Zé Mário, assim não recebes aquela medalha bonita no 10 de Junho...

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