
(como escreveu a Ana, foram cinco vezes doze. sessenta as palavras do jogo. do livro. (que neste momento já vai nas noventa e seis...)
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foi bonita a festa, pá!
tás armado em Chico? de que festa falas?
da festa do Porto, carago.
fico na mesma, meu amigo.
do livro, o 22 olhares, parva. livro lindo, minha menina. e não só.
se vamos por aí, temos muito que conversar. parva não sou. e tu sabes isso. explica a festa, vá.
preparada com todo o esmero por gente do norte, valente, solidária. num palacete bonito...
palacete?
não interrompas. ...Palacete Balsemão na praça Carlos Alberto (os azulejos da Igreja do Carmo, deslumbrantes) sala cheia, pessoal de pé. primeiro os encontros. os conhecidos, os que nunca se viram antes, uma partilha de afectos. os oradores depois, fluentes. assistência interessada...
só isso, Simão ?
isso e muito mais. o calor humano (lá fora, o Porto soalheiro, também muito quente) e a presença de um cantor que encantava. houve poesia, Gatinha. nos gestos e nas palavras. um dueto interessante entre "actores" de grande qualidade.
certo, certo. mas diz-me uma coisa: foi só ?
teimosa. o melhor foi o final. os autógrafos, dedicatórias, troca de livros. a atrapalhação de alguns (o zé, esse, nem sabia o que fazer. a tinta engasgava-se e não saía da caneta) a confusão saudável de todos quererem, ao mesmo tempo, um apontamento, um afecto escrito. foi bonita a festa, pá.
não interrompi a teu pedido. mas explica-me: não saiste de casa o dia todo. nem o passeio matinal com o zé. como é que sabes isso tudo? por acaso sonhaste ?
se calhar sonhei. mas fica sabendo, Gatinha fútil, que o sonho também comanda a vida.