terça-feira, fevereiro 22, 2011

Ter o bolo...

1. Temos de tomar decisões. A propósito de tudo e de nada, somos quotidianamente compelidos a tomar decisões. Algumas não têm grandes consequências mas outras, embora na altura nos pareçam de somenos, deixam rasto, até mesmo permanente, nas nossas vidas ou na nossa forma de viver.Se tivéssemos sido treinados para decidir e para sofrer as consequências das nossas decisões talvez não chegássemos a momentos da vida em que ter de decidir parece uma tarefa hercúlea, muito para lá das nossas capacidades. Talvez.
2. Mas o facto é que vivemos em ambientes protegidos em que sabemos, até muito tarde, que alguém tomará conta de nós se as decisões que tomarmos derem para o torto. Podemos desistir das actividades que escolhemos que ninguém nos cobrará. Podemos mudar de curso porque haverá quem compreenda. Podemos fazer meia dúzia de asneiras grossas que ou porque somos jovens, ou porque até costumamos ser boas pessoas, ou porque estávamos em más companhias, ou porque não houve intenção e nem foi por mal, alguma solução há-de ser encontrada. Em última análise, podemos mesmo passar décadas sem nunca sentir necessidade de tomar decisões já que alguém por perto se oferece para o fazer por nós, como se permanecêsemos indefinidamente no mundo da infância. Alguém nos diz o que temos de comer, vestir, que sítios visitar, quais as pessoas com quem nos damos e que actividades fazer.
3. Depois, um dia, porque sim, temos de decidir mesmo. Temos de equacionar se queremos ter um filho ou permanecer sem responsabilidades, se queremos ter um companheiro ou continuar sem compromissos, se queremos mudar de emprego ou não correr riscos, se queremos esforçar-nos para atingir objectivos ou desistir deles.
Um dia, o carril acaba e ficamos por conta própria a perceber que não se pode ter tudo nos nossos próprios termos. Que escolher um caminho significa abandonar um outro, e que até não escolher acaba por ser uma opção de não envolvimento que na prática resulta como se tivesse escolhido. Um dia descobrimos que as avós tinham razão: não se pode ter o bolo e comer o bolo.


Isabel Leal - Psicóloga
Notícias Magazine

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2 Comentários:

Às quinta-feira, 24 fevereiro, 2011 , Blogger Raquel V. disse...

Muito boa escolha!

 
Às quinta-feira, 24 fevereiro, 2011 , Blogger viajante disse...

E muitos ensinamentos. Para mim, para muitos...

 

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