sábado, janeiro 29, 2011

Homenagem...

Na procura de coisas antigas, encontrei guardada esta carta. Não vão pormenores e nos nomes, só há iniciais.
Uma ternura. Carta de uma grande Senhora, que admirei muito (recordo-a com saudade) e a quem presto sincera homenagem.


Lisboa, 13/1/988

Z
Soube que o teu filho F. de quem tanto gosto, se encontra doente. Fiquei muito triste como podes calcular. O teu avô G. viu-me nascer, eu vi o teu pai nascer, vi-te nascer a ti e em seguida vi nascer os teus quatro filhos. Tenho por Todos a mais profunda amizade, como também todos têm por mim. Posto isto, venho dizer-te que me digas exactamente do que se trata e como correu o exame feito ontem, creio, ao estômago. Venho oferecer os meus préstimos em todos os sentidos, assim como o meu filho D., teu bom amigo também. Diz-me o nome, ou nomes, dos médicos, que o seguem, sítios onde é visto o menino, etc, etc, etc, - Não sei nada de pormenores, mas gostaria de ajudar no que fosse necessário.
Perguntei à tua mãe pela tua S. que é um amor de pequenina. Ela disse-me que últimamente não tem passado bem, infelizmente. Estava tão bem no Verão! Compreendo bem a tua situação e não quero " meter foice em seara alheia ", ...como deves calcular. A tua mãe disse-me, como comentário e não queixa, que ela agora ía para a creche das M. Olha, Z, não há nada pior que as creches e infantários, jardins para crianças, etc. Servem para dar cabo das crianças em todos os sentidos. Para o caso dela, pior ainda por causa do clima horrível que há nas M. Sei que infelizmente tua mulher não tem saúde para cuidar das crianças, mas vê se consegues arranjar alguém que ajude em casa, para ela, a S., não ter de ir para a creche. Estou pronta a ajudar-te de qualquer modo, com toda a sinceridade.
Já tenho muita idade, muita prática da vida, ainda por cima metida sempre com pessoas de medicina e com a paixão da medicina. Dou-te conselhos apenas; sei que os vais apreciar.
Dá-me notícias certas e pormenorizadas do F.
As melhoras de todos. Lembranças do D.
Um abraço de
FS


...e, ao reler esta carta, tão carinhosa, voltei a tempos muito recuados, onde " tudo " me parecia perfeito. Depois a vida deu(me) muitos trambolhões. Cometi erros em série.
Hoje, apenas quero recordar a frase de Manoel de Oliveira, na entrevista ao DN:
" Não olho para o que fiz. Olho para o que vou fazer ".

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2 Comentários:

Às segunda-feira, 31 janeiro, 2011 , Blogger Filipe disse...

Muito bom ;)

 
Às segunda-feira, 31 janeiro, 2011 , Blogger viajante disse...

E assim, se não estou em erro,
o resultado final foi de 6-1 e não
7-0 como previa.
E amanhã - à hora do costume - espero ter lá outro post. Só que nem imagino qual...
;), Pipo

 

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